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O Coletivo Tarifa Zero é o MPL em Salvador

O Coletivo Tarifa Zero é o MPL em Salvador

Não começou agora e não terminará com a gente. O Coletivo Tarifa Zero pode ter um mês para comemorar o seu nascimento, Junho de 2013, e um local, as ruas de Salvador, mas sua história começa bem antes, em algum ponto indeterminado de um passado recente, no qual cada militante que o compõe se engajou em uma luta libertária.

Juntos aos movimento sociais, na luta antiglobalização ou no movimento estudantil, na revolta do Buzu e depois no Exu Tranca Rua ou no primeiro coletivo do MPL de Salvador, na luta pelo direito à cidade, no feminismo, no Desocupa, nas bicicletadas, pelo software livre, ocupando praças, no Centro de Mídia Independente ou nos sindicatos, é daí destes lugares e de outros tantos que vêm cada um de nós e que, oxalá, virão os próximos. Tudo isto se encontrou no fluxo que se formou nas avenidas, que foi barrado pela violência policial do Estado e seus governos, e que teve que superar as tradicionais organizações da auto-intitulada esquerda que se recusaram a entender o que nascia.

É verdade: também fomos pegos de surpresa. Da repressão em São Paulo aos primeiros atos de rua em Salvador, foram poucas as horas que tivemos para optar pela fundação de um novo coletivo ou pela reativação do coletivo do MPL em Salvador, um dos mais antigos do país e que contribuiu para a consolidação da federação que agora nos (re)integramos. Tentar se organizar novamente ao mesmo tempo que nos defrontávamos com o desafio muito maior que os anteriores de não deixar as forças das ruas virar à direita ou ser cooptadas pelos partidos do poder não poderia ser simples. Mas, desde o início, contamos com o apoio dos membros do antigo coletivo do MPL (2005) Salvador e de outros tantos dos coletivos de outras cidades, o que nos ajudou a seguir em frente.

Do caos das primeiras assembleias públicas, passando pela formação da Frente Tarifa Zero e desaguando na participação conflituosa na frente maior que ganhou o nome (pela imprensa, pela desinformação de muitos e pelo oportunismo de outros) de “MPL Salvador”, estes e estas que agora apresentam o Coletivo Tarifa Zero à cidade e aos demais coletivos federalizados (nacionalmente) ao MPL focaram sua atuação na luta pelo transporte público gratuito e na denúncia da violência policial. Junto com outros grupos participamos de, só em junho, sete atos de rua e inúmeras outras atividades. E se não podemos comemorar a vitória de derrubar a tarifa, reconhecemos que, diferente de outros locais, a luta não foi protagonizada por pautas conservadoras.

É importante ressaltar que a Frente Tarifa Zero era um espaço bem amplo, formado por diversas forças políticas, e algumas delas optaram por construir a luta por outras formas e com outras pautas. Os que ficaram, entretanto, decidiram se organizar em um coletivo autogestionário, pautado na história e organização do MPL, o que aconteceu sem esforço, porque cada um de nós já tinha vivido e tinha pleno acordo com este modelo de tocar as lutas. Mas foi esta Frente que pautou a tarifa zero nas ruas e nos mostrou que era necessário estreitar os laços e transformar o que deveria ser temporário em permanente.

Por isso não foi surpresa quando recebemos a carta de boas vindas à federação dos outros coletivos do MPL Nacional. O Coletivo Tarifa Zero é agora o MPL em Salvador e, ainda com o buzu andando, mesmo com catracas, mais desafios nos são apresentados. Entender e se integrar às atividades do MPL a nível nacional, participar do encontro nacional que se aproxima e construir a própria identidade (ao mesmo tempo que desenvolvemos trabalho de base em Salvador e nos articulamos com os outros grupos políticos próximos, sem esquecer que o nosso lugar é nas ruas) são as tarefas imediatas.

Não é pouca coisa! Tampouco temos esperanças de dar conta de tudo isto de forma isolada. Apostamos que ainda está viva em todas e todos que estiveram nas ruas a vontade de construir o poder popular e, nesta apresentação, fazemos o convite àquelas e àqueles que queiram se juntar à nós neste Movimento. Esse tempo que tivemos para construir as primeiras articulações, nos afastando dos debates estéreis que eram travados contra aqueles e aquelas que se apropriaram da sigla do MPL, mas não das suas práticas, foi importante para entendermos que o nosso horizonte vai além disto. O compromisso está assumido e o convite feito.

POR UMA VIDA SEM CATRACAS!

Outubro de 2013
Coletivo Tarifa Zero – Salvador

 

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