COMUNS DAS LUTAS DO #BRASIL2013 PARA AGITAR #BRASIL2014

COMUNS DAS LUTAS DO #BRASIL2013 PARA AGITAR #BRASIL2014

Documento colaborativo para achar as lutas comuns do movimento plural e heterogêneo que ocupou as redes e as ruas no ano 2013. Cada Luta tem uma tag central e um ecossistema de tags para dialogar. A central é para conectar os coletivos e filtrar informação com ferramentas tipo REBELMOUSE. A paisagem de tags conecta com outros imaginários dos protestos e com as tags tácticas clássicas comuns a milhões de contas

Comuns das lutas:

1. Copa.

Tag central: #OcupaCopa

Paisagem de tags:
(imaginário protestos) #ForaFIFA, #NãoVaiTerCopa
(usuais) #COPA2014 etc
(adicionar mais)

2. Mobilidade.

Tag central: #passelivre
Paisagem de tags:
(Imaginário protestos) #tarifazero, #pulacatracas #pularoleta…
(usuais) #transporte, #mobilidade

3. Protestos

Tag central: #ProtestosBR
(imaginário protestos) #ProtestoSP…
/
4. Direitos urbanos
Tag central: #ACidadeÉnossa

Paisagem de tags: #direitosurbanos, #ocupacidade #direitoacidade….

5. Democratização da mídia.

Tag central: #OcupeAMídia ?
Paisagem de tags: #MídiaSemCatracas ? #OcupaRedeGlobo, #AbaixoARedeGloboPovoNãoÉBobo

6. Violência policial.

Tag: #VandalismoPolicial
Paisagem de tags: #SomosAmarildo, #OndeEstáOAmarildo #OndeEstaoOsAmarildos

7. Marco Civil.

Tag central: #InternetSemCatracas
Paisagem de tags: #MarcoCivil, #MarcoCivilJá

8. Democracia Plena.

Tag: #DemocraciaSemCatracas
Paisagem de tags:
(imaginário) #DemocraciaRealJá, #EuMeRepresento….
(usuais) #GovernoAberto, #OpenGov

TWITTAÇO PRENATAL #JUNHONÃOACABOU (pode ser outra)

Tuitaço estratégico para conectar o movimento no Brasil e divulgar numa tag comum vídeos, logos, imagens e textos do glorioso ano de 2013.

Tag (sugestões): #JunhoNãoAcabou #Treme2014 #2014emLuta #JunhoContinua
Data: ¿?¿?
Pad com estratégia: será criado um

10 ensinamentos de Javier Toret sobre Facebook e Tuíter

Sintetizando dez ensinamentos da sensacional oficina de Javier Toret Medina em 16 de novembro, na Glória, Rio de Janeiro:

1) É preciso usar o Facebook pra irradiar o fluxo de atenção a nossos blogues e sites, e não o inverso.

2) Quando escrevemos diretamente no Facebook, o conteúdo fica preso num espaço fechado e proprietário da internet, não guardamos memória, e tampouco permitimos o enredamento desse conteúdo com o que está fora, reforçando a ‘enclosure’.

3) O Facebook pode ter um uso tático desde que não o transformemos no eixo de nossa organização de tempo e atenção na internet, sempre pensado como nó intermediário e “porta de saída”, jamais como destinação final.

4) O uso tático consiste, majoritariamente, na dimensão visual das postagens, além da possibilidade de convocar e organizar eventos. Um uso mais comedido e não “all-over”. Em suma, domine o Facebook sem que ele o domine.

5) A interação via Facebook se limita a comentar, curtir & compartilhar, o que é muita redução de possibilidades, atrofiando nosso senso cognitivo de estabelecer e promover relações.

6) O Facebook favorece a formação de grupos de afinidade bem fechados, dificultando o papel de ‘hubs’, pessoas que transitam e possam perfurar as várias camadas de discurso.

7) O Facebook é facilmente espionável e patrulhável, e já se tornou o foco da atenção das agências governamentais para criminalizar movimentos e ativistas. Boa parte da facilidade de criminalização decorre do caráter identitário/individual dos perfis.

8) Um caminho é insistir na memória e conteúdo dos sites e blogues, bem como de outras redes sociais menos exclusivistas, fechadas e mutiladas.

9) O Tuíter é uma opção insubstituível, com maior potencial de interação, difusão, contágio e fazer-multidão, e também com maior abertura e capacidade de enredamento com o resto da internet.

10) Na conjuntura, precisamos retomar o Tuíter em massa, para organizar campanhas e disseminar conteúdos em tempo real (streamings), usando taticamente as hashtags, o retuíte e os ‘trending topics’.

Nota nacional do MPL sobre a semana de luta do 26 de outubro

943620_447739725318821_1461475129_n

SEMANA NACIONAL DE LUTA!

O ano de 2013 acabou com a suposta calmaria brasileira. Manifestações pipocaram por todo o país, demonstrando uma insatisfação generalizada com toda a estrutura política e social. Pautas como a precariedade do sistema único de saúde, da educação e os elevados custos de vida nas cidades foram enfatizadas. Em muitas cidades os protestos iniciaram a partir da insatisfação com as tarifas do transporte coletivo. Porto Alegre, Goiânia, São Paulo e Rio de Janeiro foram às ruas contra os aumentos de passagem e conseguiram derrubá-lo. A bandeira da Tarifa Zero passou a ser conhecida e comentada, foi implementada em algumas cidades e declarada “perfeitamente possível” por governos como o do Distrito Federal. As ruas continuam a ser tomadas pelas mais diversas demandas: são professores/as no Rio, indígenas de todo território mobilizados contra o avanço ruralista sobre seus direitos, ocupações dos movimentos sem teto nos grandes centros urbanos…

Os gritos de quem nunca dormiu continuam a ecoar, e a repressão e criminalização dos movimentos sociais se intensifica por toda parte. Essa escalada repressiva ficou ainda mais evidente com o uso da lei 12.850 assinada pela presidência da republica, para enquadrar manifestantes em SP e RJ como “organizações criminosas” neste mês de outubro.

Talvez para quem veja o mundo pelo noticiários, este cenário de lutas seja uma grande surpresa. De onde veio tanta gente? Quem são essas organizações? O que está acontecendo? Ao contrário do que propaga a mídia, nada disso começou em junho e não vai terminar por agora. É por construímos ao longo dessa quase década – o MPL, mas também tantos outros/as por aí – o que chamamos de organização popular, que a rebelião que presenciamos hoje é possível.

É para marcar a memória histórica desta luta constante que A semana nacional de luta pelo passe livre foi criada e tem como marco o dia 26 de outubro. Essa data é importante porque remonta às mobilizações e conquistas da Revolta da Catraca de 2004 em Florianópolis, uma das lutas que deu origem ao Movimento Passe Livre. É preciso manter viva a memória para sempre lembrar que nossa luta não começou agora – e que só vai terminar com o fim de todas as catracas.

Este ano várias cidades de todo país estão se movimentando para mostrar que derrubar os aumentos foi só o começo: queremos mesmo é acabar com a tarifa, desmercantilizar o nosso direito de ir e vir, fazer com que o transporte seja público de verdade e acabar com qualquer tipo de catraca. A luta por uma cidade de todas/os continua – confira a programação e participe dos atos na sua cidade!

Movimento Passe Livre – Brasil
21/10/2013
Programação dos MPLs para a semana de luta pelo passe livre, rumo à tarifa zero:

ABC (SP) - https://www.facebook.com/events/204394623072786
Distrito Federal (DF) - https://www.facebook.com/events/434202113358838/
Florianópolis (SC) - https://www.facebook.com/events/155203904689086/
Grande Vitoria (ES) - https://www.facebook.com/events/604359639605878/
Goiânia (GO) - https://www.facebook.com/events/216646631837312/
Guarulhos (SP) - [sem evento ainda]
Joinville (SC) - https://www.facebook.com/events/604916486214409/
Natal (RN) - https://www.facebook.com/events/122313261277145/
Rio de Janeiro e Niteroi (RJ) - https://www.facebook.com/events/1407273776170980/
Salvador (BA) – https://www.facebook.com/tarifazerossa?hc_location=timeline E href=”https://www.facebook.com/events/1424377441
São José dos Campos (SP) - https://www.facebook.com/events/1408282776068199/
São Luis (MA) - https://www.facebook.com/events/527610933999324/

São Paulo (SP) - 21/10 -https://www.facebook.com/events/469899346457943/

O Coletivo Tarifa Zero é o MPL em Salvador

O Coletivo Tarifa Zero é o MPL em Salvador

Não começou agora e não terminará com a gente. O Coletivo Tarifa Zero pode ter um mês para comemorar o seu nascimento, Junho de 2013, e um local, as ruas de Salvador, mas sua história começa bem antes, em algum ponto indeterminado de um passado recente, no qual cada militante que o compõe se engajou em uma luta libertária.

Juntos aos movimento sociais, na luta antiglobalização ou no movimento estudantil, na revolta do Buzu e depois no Exu Tranca Rua ou no primeiro coletivo do MPL de Salvador, na luta pelo direito à cidade, no feminismo, no Desocupa, nas bicicletadas, pelo software livre, ocupando praças, no Centro de Mídia Independente ou nos sindicatos, é daí destes lugares e de outros tantos que vêm cada um de nós e que, oxalá, virão os próximos. Tudo isto se encontrou no fluxo que se formou nas avenidas, que foi barrado pela violência policial do Estado e seus governos, e que teve que superar as tradicionais organizações da auto-intitulada esquerda que se recusaram a entender o que nascia.

É verdade: também fomos pegos de surpresa. Da repressão em São Paulo aos primeiros atos de rua em Salvador, foram poucas as horas que tivemos para optar pela fundação de um novo coletivo ou pela reativação do coletivo do MPL em Salvador, um dos mais antigos do país e que contribuiu para a consolidação da federação que agora nos (re)integramos. Tentar se organizar novamente ao mesmo tempo que nos defrontávamos com o desafio muito maior que os anteriores de não deixar as forças das ruas virar à direita ou ser cooptadas pelos partidos do poder não poderia ser simples. Mas, desde o início, contamos com o apoio dos membros do antigo coletivo do MPL (2005) Salvador e de outros tantos dos coletivos de outras cidades, o que nos ajudou a seguir em frente.

Do caos das primeiras assembleias públicas, passando pela formação da Frente Tarifa Zero e desaguando na participação conflituosa na frente maior que ganhou o nome (pela imprensa, pela desinformação de muitos e pelo oportunismo de outros) de “MPL Salvador”, estes e estas que agora apresentam o Coletivo Tarifa Zero à cidade e aos demais coletivos federalizados (nacionalmente) ao MPL focaram sua atuação na luta pelo transporte público gratuito e na denúncia da violência policial. Junto com outros grupos participamos de, só em junho, sete atos de rua e inúmeras outras atividades. E se não podemos comemorar a vitória de derrubar a tarifa, reconhecemos que, diferente de outros locais, a luta não foi protagonizada por pautas conservadoras.

É importante ressaltar que a Frente Tarifa Zero era um espaço bem amplo, formado por diversas forças políticas, e algumas delas optaram por construir a luta por outras formas e com outras pautas. Os que ficaram, entretanto, decidiram se organizar em um coletivo autogestionário, pautado na história e organização do MPL, o que aconteceu sem esforço, porque cada um de nós já tinha vivido e tinha pleno acordo com este modelo de tocar as lutas. Mas foi esta Frente que pautou a tarifa zero nas ruas e nos mostrou que era necessário estreitar os laços e transformar o que deveria ser temporário em permanente.

Por isso não foi surpresa quando recebemos a carta de boas vindas à federação dos outros coletivos do MPL Nacional. O Coletivo Tarifa Zero é agora o MPL em Salvador e, ainda com o buzu andando, mesmo com catracas, mais desafios nos são apresentados. Entender e se integrar às atividades do MPL a nível nacional, participar do encontro nacional que se aproxima e construir a própria identidade (ao mesmo tempo que desenvolvemos trabalho de base em Salvador e nos articulamos com os outros grupos políticos próximos, sem esquecer que o nosso lugar é nas ruas) são as tarefas imediatas.

Não é pouca coisa! Tampouco temos esperanças de dar conta de tudo isto de forma isolada. Apostamos que ainda está viva em todas e todos que estiveram nas ruas a vontade de construir o poder popular e, nesta apresentação, fazemos o convite àquelas e àqueles que queiram se juntar à nós neste Movimento. Esse tempo que tivemos para construir as primeiras articulações, nos afastando dos debates estéreis que eram travados contra aqueles e aquelas que se apropriaram da sigla do MPL, mas não das suas práticas, foi importante para entendermos que o nosso horizonte vai além disto. O compromisso está assumido e o convite feito.

POR UMA VIDA SEM CATRACAS!

Outubro de 2013
Coletivo Tarifa Zero – Salvador

 

Nota do Coletivo Tarifa Zero – Salvador

Nota de repúdio à ação policial na manifestação do 7 de setembro e ao silêncio da esquerda

Orginal: http://passapalavra.info/2013/09/84755

Em Salvador, o Sete de Setembro foi mais um dia para não esquecer. Não pela festa da independência – esvaziada de significado para os lutadores sociais – mas pelo Grito dos Excluídos que, mesmo no seu dilema de apoiar os governos do PT e fazer avançar a luta dos movimentos sociais, continua ocupando as ruas das capitais nesta data. Mas também será um dia que ficará na memória pela repressão que tomou as ruas do Centro da cidade logo após as manifestações.

Enquanto no turno da manhã, no Grito dos Excluídos, tudo transcorreu em paz e com mais de cinco mil pessoas nas ruas, entre movimentos sociais, sindicatos e populares; no turno da tarde, no ato intitulado “Operação 07 de Setembro”, a repressão saiu das casernas para atuar de forma ainda mais arbitrária e violenta do que no mês de junho.

Foram mais de cinquenta detenções, inclusive menores de idade e pessoas que sequer participavam das mobilizações, no geral garotos negros e da periferia de Salvador. Muitos foram agredidos fisicamente, sofreram todo tipo de pressão psicológica e não tiveram o direito de saber qual o motivo das suas prisões. Após um dia inteiro de negociações, todos foram liberados. Porém, a exemplo do que ocorreu em junho, podem se juntar aos outros setenta que correm o risco de serem indiciados, caso o Ministério Público resolva realizar a denúncia.

O crescimento da violência policial e a seletividade das suas ações, com público-alvo bem definido, expressa todo o racismo e opção de classe das forças repressoras baianas. A situação assusta porque estas forças são dirigidas agora por um governo dito progressista, eleito com promessas diametralmente opostas às que vem cumprindo. Porém, mais aterrorizante ainda é perceber, no dia seguinte, o silêncio e a falta de solidariedade que tomou conta dos movimentos sociais, grupos e partidos de esquerda.

Se já não bastasse para estes ativistas terem somente o apoio de advogados voluntários e de um representante da OAB para mediar a situação com a polícia após as prisões, frise-se, sem colaboração de nenhum sindicato ou movimento social histórico para fornecer suas estruturas de apoio (o que era a prática recorrente nos anos anteriores aos governos Wagner, Lula e Dilma), ainda se deparam com a postura lamentável de indivíduos e grupos que saem em defesa da repressão e fazem coro à criminalização dos movimentos sociais.

O Coletivo Tarifa Zero de Salvador, independente de se alinhar ou não às táticas destes indivíduos, os reconhecem enquanto companheiros e companheiras de luta, entende a importância, nestes dias difíceis, de reforçar os laços de solidariedade e de se somar àqueles que estão, de alguma forma, denunciando o vandalismo do Estado e de suas polícias e lutando por uma cidade menos segregada.

Denunciamos a violência do Estado, questionamos os rumos que a esquerda vem tomando e nos solidarizamos na prática com os presos e agredidos, auxiliando-os na medida de nossas possibilidades. É nestas lutas e perspectivas que seguiremos rumo à uma cidade sem exploração, sem opressão, sem violência policial, sem catracas e sem tarifas.

Setembro de 2013
Coletivo Tarifa Zero – Salvador

A ética da urgência: reflexão em três pontos a partir ocupação da Câmara de Salvador pelo MPL

É possível nessa festa política, e mesmo na economia da vida, sambar e ir embora ao mesmo tempo?

Captura de tela 2013-07-31 às 13.39.431.

Crise de representatividade ou de credibilidade? – Muito se fala, nesses tempos de protestos nas ruas, de crise de representatividade na política. Mais adequado seria falar em crise de credibilidade da política junto à sociedade. Mesmo os indivíduos mais apáticos politicamente sentem uma impressão desastrosa em torno do comportamento da classe política, pois esta se descolou do evoluir das conciências mais sensíveis aos problemas “lá fora”, na sociedade. A classe política e as subculturas éticas/estéticas sensíveis aos problemas vivem separadas precisamente pela discrepância de sensibilidade, contexto que introduz uma fatal divisão do trabalho entre os que são sensíveis e os que podem ser incubidos de atuar efetivamente na esfera política, ou seja, na esfera dos partidos e da sociedade civil organizada. A lacuna de credibilidade na política instala o impasse: é possível nessa festa, e mesmo na economia da vida, sambar e ir embora ao mesmo tempo? Ou, pelo menos, é possível entrar na roda já mudando a música?

2.

As competências da política frente às exigências do real – atualmente, não há apenas motivos político-partidários, mas também razões vitais, globais, para se falar em transformação social ou em mutações da política. O que nos angustia é a desproporção abissal entre as competências da política e as exigências do real. Agora, em meio a tantos protestos, ações políticas e análises intelectuais e acadêmicas, ninguém sabe direito como alcançar medidas suscetíveis de coibir as tendências de desastre do sistema. Quer como sujeitos, quer como objetos da política, todos sentem que o perigo cresce (social, ambiental, político), mas os participantes do jogo não tirarão as suas vendas na brincadeira de cabra-cega que se sofisticou na política. Seria preciso diagnosticar a crise de credibilidade política através de análises mais radicais e profundas, menos parciais, mais gerais. Somente participando do pensamento e elaboração desse diagnóstico é que os agentes políticos (em mutação) poderiam deixar de representarem…

3.

Em busca de uma política credível - Quando um grupo de militantes do Movimento Passe Livre ocupa a Câmara Municipal de Salvador, por exemplo, estão reconhecendo radicalmente a legitimidade do sistema representativo e assumindo uma posição reivindicatória diante do Poder constituído. Os militantes do MPL em Salvador que ocuparam a Câmara refletem a crise de credibilidade, reivindicam a urgência institucional no atendimento das demandas em questão (que foram sempre mal tratadas pelos representantes do interesse público na Câmara) e correm o risco de perderem – por discrepância de sensibilidade entre a gente das ruas e os militantes internos na Câmara – a credibilidade como sujeitos incubidos de atuar efetivamente na esfera política em nome de todos aqueles sujeitos nas ruas que buscam uma política credível. A gestão de um problema tem que ser considerada a respectiva solução dele? A credibilidade da política pode ser reabilitada – através da ética da urgência das ocupações – pela reabilitação pontual da credibilidade dos políticos atuais? Seria um ganho, sem dúvida, tal reabilitação, mas seria uma (r)evolução suficiente frente àquelas tendências de desastre do sistema, tocado pelo jogo de poder como jogo de cabra-cega?

A reflexão é lacônica, nem quero manifestar uma posição pragmática quanto à ocupação da Câmara em Salvador, mas penso que interessará a alguns amigos sensíveis ao problema de encarnar os princípios dos anseios políticos e das discussões na ação cotidiana. Por fim, num mundo mobilizado para o desastre, acredito mais em ocupar as ruas, parar as cidades, desmobilizar as estruturas, do que em ocupar prédios sem ocupar lugares institucionais para subvertê-los em vez de legitimá-los.

Recomendo a leitura de “A mobilização Infinita – para uma crítica da Cinética Política”, de Peter Sloterdijk.

Por fabricio ramos